Ginástica Laboral, LER/DORT, Ergonomia, Sedentarismo





A cidade de Barreiras, centro urbano regional, está localizada no oeste da Bahia a 853 km de Salvador e 622 km de Brasília. Com uma população de 131.849 (66.177, homens; 65.672, mulheres) habitantes distribuídos numa área de 11.979,5 km2, é um importante entroncamento rodoviário entre o Norte, Nordeste, e Centro Oeste do país. É uma cidade de porte médio, com atividades comercial e agro-industrial em pleno desenvolvimento. O município se consolidou como principal pólo produtor da região. A intensa atividade agrícola, com circulação de capital e tecnologia de ponta, criou reflexos em praticamente todos os setores da atividade econômica e social.

A FASB -Faculdade São Francisco de Barreiras está localizada há 10 Km do centro da cidade, além da absorção de expressiva parcela de estudantes Barreirenses, possui acadêmicos dos mais diversos lugares do país: Distrito Federal, Goiânia, Piauí, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais e Paraná, além de acadêmicos vindos de mais de 26 cidades da Bahia.Neste contexto, somam-se em média 2.187 alunos numa sede própria com conforto e uma série de recursos tecnológicos para proporcionar o melhor aprendizado. A inserção da FASB no contexto sócio-econômico que caracteriza a região Oeste, parte de uma filosofia educacional que lhe possibilite desenvolver proposta pedagógica consciente, além de apta a contemplar, em seu processo de ensino/aprendizagem superior e de pesquisa acadêmica, um empenho diferenciado na formação para a cidadania.

Com a evolução da tecnologia e a tendência cada vez maior de substituição das atividades ocupacionais que demandam acentuado gasto energético por facilidades automatizadas, o ser humano adota cada vez mais a lei do menor esforço reduzindo, assim, o consumo energético de seu corpo (Matsudo et al 2001). Dentre as conseqüências de uma vida sedentária está o stress, obesidade, hipertensão arterial, distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT'S), entre outros.

Há, também, uma íntima relação das lesões de origem ocupacional que atingem as extremidades, Lesões por esforços repetitivos (L.E.R.) e os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT'S) com a inadequação do ser humano às atividades que realiza, sejam elas no ambiente esportivo ou trabalhista (Lida, 1998; O`Neill, 2004). Essa questão se fortalece se levarmos em conta que o homem passa quase três/quartos de sua vida trabalhando, e que as exigências da produtividade somam-se a muitas condições de trabalho desfavoráveis. Dos distúrbios dolorosos que afetam a humanidade, a dor lombar (lombalgia ou dor na coluna lombar) é a grande causadora de morbidade e incapacidade para o trabalho, só perdendo para a cefaléia que afeta mais os homens do que as mulheres (Codo e Almeida, 1995). Aos 30 anos de idade, inicia-se um processo de dessecação progressiva dos discos da coluna vertebral, que sofrem maior risco de rompimento e protusão, por perda de elasticidade e resistência. Hérnia de disco e "bico de papagaio" são doenças comuns da coluna lesada.

Para Nascimento, 2000 e Cox, 2002 a postura no desenrolar de tarefas pesadas é a principal causa de problemas de coluna, mais precisamente na hora de levantar, transportar e depositar cargas, ocasião em que os trabalhadores mantêm as pernas retas e "dobram" a coluna vertebral. Pode ocorrer também outro movimento perigoso, o giro do tronco, quando a carga for pega ou depositada mais para o lado e não necessariamente à sua frente. Projetos inadequados de máquinas, assentos ou bancadas de trabalho obrigam o trabalhador a usar posturas inadequadas que, mantidas por muito tempo, podem provocar fortes dores localizadas naquele conjunto de músculos solicitados para a conservação da postura (Codo, 1995).

As condições psicossociais, os usos incorretos de mobiliário e equipamento desconfortáveis são também apontados como responsáveis pelo aumento dos casos de DORT'S, mas esta análise estaria incompleta se deixássemos de lado o fator tensão excessiva, que costuma ser um fator contributivo presente em praticamente todas as situações que temos visto na atividade profissional.

O objetivo fundamental do plano de tratamento fisioterapêutico é eliminar ou minimizar a intensidade dos fatores físicos que causaram ou agravaram a L.E.R., pois uma vez eliminados, dão lugar ao processo natural de recuperação do organismo. Envolve uma combinação de métodos conservadores, como medicamentos e terapia física, esta requer a educação do doente quanto às posturas a serem adotadas tanto nas atividades de trabalho como nas de não-trabalho (Luduvig, 1996 apud Deliberato 2002). Além da imobilização e repouso, pode-se também lançar mão do uso do calor e do gelo para alívio da dor; e da compressão e elevação para melhor drenar o edema local, quando este se fizer presente.

Entretanto, podem ser utilizados outros métodos de tratamento fisioterápico, sendo que a finalidade sempre será de reduzir a dor, o edema e a inflamação, que proporciona assim uma situação em que se possa normalizar a força muscular e o retorno às atividades, quando possível (Codo e Almeida, 1998). Especificamente quanto à acupuntura, este método proporciona resultados favoráveis no alívio da dor, e seu uso pode fazer parte do conjunto de medidas de tratamento. Além disso, técnicas de relaxamento e reeducação postural global estão sendo empregadas com sucesso para tratar e prevenir.

Nesta perspectiva, surgiu a ginástica laboral. Concebida como um método utilizado nas empresas, de pouca duração, com prática de movimentos de alongamento e relaxamento, é de grande valor no desempenho das ocupações dos funcionários, com mais empenho e eficiência.

Definida por alguns autores como ginástica destinada a trabalhadores, uma sessão de ginástica laboral visa dar a oportunidade aos trabalhadores executarem séries de exercícios com restrito espaço de tempo, com o objetivo de prepará-lo para a jornada de trabalho, relaxa-los após o expediente  e compensar a musculatura antagonista  exigida.

Sobre a história da Ginástica Laboral, a primeira notícia que se encontra é uma pequena resenha editada na POLÔNIA em 1925, onde foi chamada também de Ginástica de Pausa, era destinada a operários e alguns anos depois, surgiu na Holanda e Rússia. No Início dos anos 60 surgiu também na Bulgária, Alemanha, Suécia e Bélgica. No Japão, na década de 60 ocorreu a consolidação e a obrigatoriedade da G.L.C. : Ginástica Laboral Compensatória (Oliveira Martins, 2001).

No Brasil, o esforço pioneiro residiu numa proposta de exercícios baseados em análises biomecânicas. Esta proposta foi estabelecida pela escola de Educação de FEEVALE no ano de 1973, quando se elaborou o projeto de Educação Física Compensatória e Recreação (Oliveira Martins, 2001) não foi encontrado material de continuidade deste trabalho.O principal objetivo é preparar o corpo para trabalhar e prevenir o aparecimento de lesões músculo-ligamentares (para que não sejam necessárias as técnicas de tratamento acima citadas) a reduzir os acidentes de trabalho causados pelos movimentos repetitivos e posturas inadequadas, a diminuir o absenteísmo e custos com atestados médicos, minimizar custos trabalhistas e melhorar a imagem da empresa no que se refere a qualidade de vida (Peres et al 2000). A maioria dos exercícios tenta diminuir o efeito da solicitação constante a que é submetido um trabalhador ao executar determinada tarefa, seja ela uma tarefa física ou psiquíca.

Enfermidades como: lombalgias, tenossinovites, tendinites, sinovites, cervicalgias, epicondilite, síndrome do túnel do carpo, síndrome de Quervaín, peritendinite em particular de ombros, cotovelos, punhos e mãos, dedo em gatilho, cistos, síndrome do pronador redondo, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome cervical ou radiculopatia cervical, neurite digital, são apenas algumas das afecções músculo- esqueléticas mais comuns em trabalhadores com DORT (Deliberato, 2002). Essas patologias estão surgindo em proporções alarmantes, especialmente em alguns setores ocupacionais ("braçais"), o que tem elevado o interesse por questões associadas à saúde do trabalhador.

Este interesse está fundamentado no aumento de despesas médicas, hospitalares, faltas no trabalho, absenteísmo, aposentadorias precoces, que refletem significativamente na qualidade de vida do trabalhador e na produtividade (Codo e Almeida, 1998). O presente estudo visa verificar a incidência de sedentarismo entre os funcionários da Faculdade São Francisco de Barreiras e sua relação com posturas inadequadas diante do trabalho, bem como máquinas e móveis posicionados de forma inadequada para o trabalhador e, enfatiza a ginástica laboral como alternativa preventiva para possíveis lesões. Os programas de qualidade de vida, não devem incluir apenas a prática regular de exercícios durante a jornada de trabalho, pois a obtenção de resultados mais significativos, tanto no nível coletivo como no individual, é obtido de modo mais eficaz quando esses exercícios são acompanhados por análises ergonômicas, antropométricas, posturais e biomecânicas.

O objetivo principal desse estudo consistiu na realização, através da revisão bibliográfica, de uma análise a respeito da prática de exercícios e alongamentos durante o turno de trabalho, com enfoque especial sobre os efeitos orgânicos na saúde do trabalhador. Acreditamos que tal objetivo tenha sido atingido, do mesmo modo como também acredito que a realização do presente trabalho contribuirá de forma significativa para a consolidação do aprendizado científico e prático sobre o tema Ginástica Laboral e saúde do trabalhador.

METODOLOGIA E CASUÍSTICA

Foram entrevistados 30 funcionários de ambos os sexos em uma instituição de nível superior (FASB), sorteados aleatoriamente. O instrumento foi elaborado com perguntas referentes a dados sócio-demográficos, sobre sedentarismo e satisfação em realizar atividades físicas no trabalho.

Antes do inicio da pesquisa foi estabelecido aos participantes o livre arbítrio e objetivo deste trabalho. Toda a pesquisa foi aplicada em horário e local pré-definidos pelos participantes com o pesquisador sentado ao lado do entrevistados perguntando a ele pausadamente quantas vezes fossem necessárias.

A PESQUISA TEVE DUAS ETAPAS

A) A primeira em março de 2005 com a aplicação do questionário adaptado de khouri, Amando e Perez (2004), denominado "Questionário de Sintomas e de Aspectos da Organização do Trabalho".

B) Posteriormente em outubro do ano de 2005 foi aplicado o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) desenvolvido pela OMS, validado no Brasil por Matsudo et al. (2001).

Nas duas etapas foram selecionadas aleatoriamente, 30 indivíduos  de ambos os sexos, com idade ente 25 e 60 anos, nos setores da Faculdade escolhidos aleatoriamente. A escolha para a entrevista da primeira etapa baseou-se inicialmente para traçar um perfil diagnóstico geral do comportamento dos funcionários com relação ao trabalho e foram entrevistados indivíduos de todos os setores da faculdade, sem distinção. Já na segunda etapa foram entrevistados setores mais específicos, para tanto, os setores como: Biblioteca, Departamento Financeiro, Coordenação de Fisioterapia, COPEX (Coordenação de Pesquisa e Extensão), Setor administrativo, Direção acadêmica, Secretaria acadêmica e Segurança foram solicitados a responder questões contendo perguntas sobre atividades que realizavam no trabalho, em domicílio, transporte e atividades físicas supervisionadas e uma pergunta relativa a dores em articulações específicas do corpo humano (joelho, ombro, tornozelo, punho, falanges, coluna, quadril), com vocabulário claro, objetivo, preciso. A linguagem era acessível e as perguntas foram classificadas ( Matsudo et al 2001 ) como:

  • GERAIS: sexo, idade, ocupação, entre outras;
  • ESPECÍFICAS: Quantos dias na semana anda por pelo menos 30mim como meio de locomoção? Quantos dias de uma semana normal você faz atividades moderadas, por pelo menos 10 minutos contínuos, como carregar pesos leves como parte do seu trabalho?  Em quantos dias de uma semana normal você faz atividades físicas vigorosas no jardim ou quintal por pelo menos 10 minutos como carpir, lavar o quintal, esfregar o chão? Em quantos dias de uma semana normal, você faz atividades moderadas no seu tempo livre  por pelo menos 10 minutos,  como pedalar ou nadar a velocidade regular, jogar bola, vôlei, basquete, tênis? Quanto tempo passa sentada em seu ambiente de trabalho?Entre outras.Todas as questões tinham notas explicativas sobre atividades físicas VIGOROSAS ( aquelas que precisam de um grande esforço para respirar MUITO mais forte que o normal) e atividades físicas MODERADAS (aquelas que precisam de algum esforço físico e que faz respirar UM POUCO mais forte que o normal) segundo Matsudo et al 2001.

Os funcionários assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido aceitando participar da pesquisa de acordo com as Diretrizes Nacionais e Internacionais para a Pesquisa em Seres Humanos do Conselho para Organização Internacional de Ciências Médicas (CIMS) e da resolução n 196/96 do Conselho nacional de Saúde (Brasil, 1996). A pesquisa foi realizada através dos questionários acima citados servindo de instrumento de coleta de dados. Os dados foram analisados de acordo com a classificação de nível de atividade física estabelecida pelo IPAQ. Para analisar os dados do nível de atividade física foi usado o consenso realizado entre o CELAFISCS e o Center for Disease Control (CDC) de Atlanta em 2002, citado por Matsudo et al. (2002), considerando os critérios de freqüência e duração, que classificaram as pessoas em cinco categorias: muito ativo, ativo, irregularmente ativo e sedentário segundo Matsudo et al. (1999).

RESULTADOS

Os resultados obtidos pelo questionário denominado: "Questionário de Sinais e Sintomas do Trabalho" em Março de 2005 demonstrou que cerca de 70% era do sexo feminino, com média de idade de 28,45 anos, 70 % não realizavam nenhum tipo de atividade física.

Observe os gráficos 1 e 2 abaixo, o qual  demonstra que dos entrevistados 73% disseram sentir-se cansado no final do expediente, quando foi sugerido  que os entrevistados  estabelecessem uma nota de 0 a 10 a maioria dos funcionários estabeleceu nota 8 para a sensação de cansaço no final do expediente. Isso demonstra uma predisposição ao mau posicionamento dos membros diante do maquinário, bem como estresse que  leva à tensões musculares (Deliberato, 2002). Quando perguntado se a prática de atividade física melhoraria seu desempenho profissional, 100% dos entrevistados relataram que sim.

Gráfico 1: Sensação de cansaço ao final do expediente entre os funcionários da FASB. Barreiras, 2005

 

Gráfico 2- Nota estabelecida entre os funcionários da FASB com relação ao cansaço sentido no final do expediente. Barreiras, 2005

 

No Gráfico 3 abaixo pode-se observar que 70 % não realizavam nenhum tipo de atividade física para promoção da saúde isto demonstra uma falta de prevenção contra doenças osteo-musculares e cardiovasculares,bem com estresse e baixa produtividade (Deliberato, 2002).

Gráfico 3- Prática regular de atividade física entre os funcionários da FASB. Barreiras, 2005

 

Observe o Gráfico 4 abaixo referência se a prática de atividade física melhoraria seu desempenho profissional, 100% dos entrevistados relataram que sim.Isso demonstra uma prontidão à prática de atividades físicas regulares e conhecimento sobre seus benefícios tanto para empresa quanto para o funcionário (Deliberato, 2002).

Gráfico 4: Descrição se o funcionário da FASB gostaria ou não de realizar atividade física durante seu turno de trabalho. Barreiras, 2005

 

Em novembro de 2005 foi aplicado o IPAQ, em 30 funcionários, com idade 30 a 45 anos. Dos entrevistados, 70 %  eram Insuficiente ativos no trabalho (menos 150 minutos semanais em atividades moderadas segundo Matsudo et al. 2002), 59% são ATIVOS em ATIVIDADES DOMÉSTICAS, ou seja, realizam atividades moderadas e de grande esforço em seus domicílios, 3 vezes por semana,150 mim (Matsudo et al. 2002). 90% disseram ser insuficientes ativos na locomoção e apenas 10% andam de bicicleta 3 vezes na semana, 77% caminham de 3 a 7 dias (menos de 150 mim semanais, Matsudo et al. 2002).

Em atividades destinadas à promoção da saúde no tempo livre, 58% se disseram sedentários, ou seja, não realizam caminhadas no tempo livre, 53% se disseram sedentários no esporte, ou seja, não praticam esporte e apenas 15% foram considerados ativos (Matsudo et al. 2002) ou seja, fazem atividade  supervisionadas 3 vezes por semana (T=150min); 48% nunca praticou atividade supervisionada , apenas 14% praticam e são ativos. ( Matsudo et al. 2002).Observe abaixo:

Tabela 1-Incidência de sedentarismo no esporte, atividades supervisionadas e dores  entre 20 entrevistados, funcionários da FASB.Barreiras, 2005

Variável

   Incidência (%)

Classificação

 

 Homens

Mulheres

52,0%

48,0%

 

 

Trabalho

70,0%

insuficiente

- de150 min semanais em atividades  moderadas

Atividades Domésticas

59,0%

Ativos

 

Locomoção
      1. Anda de Bicicleta
      2. Caminhada Leve

90,0%
10,0%

77,0%

Insuficiente
Ativos

Insuficiente

Menos de 150 min/ semanais

Lazer/promoção da saúde

58,0%
15%

Sedentários 
Ativos                  

Não realiza atividades
Realizam 3 vezes por semana

       1. Esporte

53,0%

Sedentários

 

 

       2. Atividades         Supervisionadas

 

 

48,0%
 
14,0%

 

Nunca  praticaram

Praticam atualmente

 

Fonte:IPAQ

Diante do exposto, observa-se que os indivíduos se mostraram insuficiente ativos nas suas atividades do trabalho (secretários, digitadores, atendentes, professores, diretores, seguranças) ou seja, não realizam atividades que exigem um  grau de esforço maior que em repouso. (Matsudo et.al. 2001).

Já em outra coluna, pode-se perceber-se ainda que 59,0% são ativos nas atividades domésticas e 90,0% insuficiente ativos nas atividades como meio de transporte, apresentando-se sedentários também no lazer, não realizando atividades regulares para a promoção da saúde e prevenção de doenças e apenas 15% são ativos nesta classificação.

Observa-se na tabela 2 abaixo, que com relação à dor, 100%  do entrevistados  revelaram que as vezes sentem, destes 29% relataram dor joelho, 26% no quadril, 19% em ombro e 26% disseram sentir dor em punho, tornozelo, coluna e  falanges. Foi refletido diante da incidência que devido às condições ergonômicas do ambiente de trabalho, os funcionários adotam hábitos incorretos de postura e que o mobiliário não é o mais adequado. As cadeiras possuem encostos, porém, não estavam reguladas de acordo com a estatura dos funcionários e não havia suporte para os pés em todos os locais de trabalho,entre outros.Todas essas condições nos leva a concluir a segunda etiologia (causa) de suas dores, já que a primeira pode vir do sedentarismo (Matsudo, 2001).

Tabela 2:Sintomas em articulações específicas do corpo humano (Smith  et. al. 1997)

3.DOR
100%
As vezes sentem


Joelho
Quadril
Ombro
P,T,C,F


29%
26%
19%
26%

 

Fonte: Adaptado de Khouri, Amando e Perez (2004).

 

Ao analisar as condições ergonômicas do ambiente de trabalho,  observou-se que os funcionários utilizam hábitos incorretos de postura e que o mobiliário não é o mais adequado. As cadeiras possuem encostos, porém, não estavam reguladas de acordo com a estatura dos funcionários pois  não havia suporte para os pés em todos os locais de trabalho.

DISCUSSÃO

Os entrevistados apresentaram um índice de sedentarismo, principalmente na  promoção da saúde e atividades supervisionadas já que apenas 14 % desenvolvem atividades  semanais.

No que diz respeito ao sedentarismo fora do lazer, ou seja, no trabalho, domicílio e transporte e locomoção, Oldridge et al (1983), apud Matsudo, 2001 apontam o sedentarismo no trabalho, ocupações de leve ou muito leve intensidade, como um importante fator para a adoção de hábitos sedentários também durante o lazer, fato este agravado pelo processo de industrialização e mecanização da sociedade, que têm eliminado a necessidade de esforço físico no quotidiano da maioria da população. É o que se observa com a maioria dos entrevistados da FASB, que trabalham nos setores administrativos (coordenação de cursos, financeiro, biblioteca, secretaria acadêmica, direção acadêmica), em postura sentada diante do computador, uma média de 8 a 12 horas diárias.

O sedentarismo, aliado ao uso prolongado de computadores e games, pode trazer complicações ortopédicas e reumatológicas à crianças semelhantes a distúrbios adultos como LER / Dort (lesões por esforços repetitivos/distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho).Os funcionários são usuários de computadores e estes não estão adequados à mediadas antropométricas  que, associada ao sedentarismo  podendo ocasionar dores durante a jornada de trabalho e ao final do expediente.

Uma pesquisa feita no serviço de Fisioterapia do Campus "Luis de Queiroz" em Piracicaba -SP, entre os anos de 1997 a 1999,  verificou-se que das 982 pessoas atendidas neste serviço, 107 foram de alunos da pós - graduação ( ESALQ e CENA) ou seja, 11% dos atendimentos. O gráfico abaixo mostra as disfunções e alterações tratadas:

Fonte:http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/alternativa/analise_ergonomica/analise_ergonomica.htm.Acesso dezembro 2005

Dentre as dores na coluna o gráfico abaixo demonstra quais as regiões mais afetadas :

Fonte:http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/alternativa/analise_ergonomica/analise_ergonomica.htm.Acesso dezembro 2005

A coluna vertebral, especialmente a região lombar  e cervical foi diagnosticada através desta pesquisa e outras nos últimos anos, como sendo a região mais afetada entre os pós-graduandos acima mencionados, seguida de entorses de tornozelo e joelho. O fato mais importante para se destacar é que das 132 disfunções e alterações tratadas pela Fisioterapia, 53 ( 40%) se referem a algias (dores) na coluna vertebral de origem ocupacional.

Nossa pesquisa na FASB relata que 67% dos funcionários dizem sentir dores em : joelho  (29%), quadril ( 26%), ombro (19%), 26% entre: coluna, punho, tornozelo e falanges. Sabe-se que estas dores  ou distúrbios podem estar relacionados ao trabalho ou à outras atividades realizadas, numa relação originária ou desencadeadora. (Codo e Almeida, 1998). Atualmente em nossa sociedade, existe uma preocupação emergente na organização do trabalho  e  muitas empresas estão se estruturando   para gerar   benefícios a valorizar  o ser  humano como um todo. No mundo do trabalho isso se evidencia, já que a produtividade e êxito são sinônimos de bem estar de todo trabalhador (Oliveira Martins,2001). Diante disto, muito se tem investido, tanto em equipamentos  bem como no preparo físico e psicológico dos funcionários.

Perante a literatura pesquisada, verificamos que a Ginástica não se constitui uma atividade de risco para as pessoas e atua de forma preventiva para os riscos de lesões em ambientes com pouca orientação ergonômica. A hidroginástica, caminhada, natação e outras atividades de características predominantemente aeróbias, são as atividades priorizadas e normalmente recomendadas para perda de calorias. No entanto, verificamos também que a ginástica, quando ambientada em um contexto recreativo e com prescrições adequadas de cargas, pode proporcionar importantes benefícios para pontos dolorosos possivelmente decorrentes da má postura e pelos movimentos repetitivos impostos pelas atividades profissionais. A fisioterapia através de alongamentos e cinesioterapia, associado a períodos de pausa e orientações posturais serão de grande valia para aliviar o quadro álgico e obter uma melhor qualidade de vida a esses funcionários.

 
Diante do exposto, a Ginástica Laboral  pode ser definido como um conjunto de atividades físicas destinadas a trabalhadores, que a partir de uma análise e avaliação  ergonômica-laboral é estabelecido um programa de atividade física de grupo tendo por objetivo  possibilitar o funcionário executar suas atividades laborativas com mais qualidade e disposição, visando também  a  prevenção de LER/DORT, esse programa de atividade física inclui: exercícios de compensação muscular, exercícios de flexibilidade, técnicas de relaxamento, alongamento, e também periódicas atividades lúdicas que visam a integração entre funcionários (Oliveira Martins,2001 ).
 
Poucos estudos são publicados sobre ginástica laboral, por este motivo se trabalha com programas específicos dentre a periodização do treinamento de valências físicas que auxiliem os funcionários em suas atividades laborais.
 
Desse modo, os trabalhadores que utilizam seus músculos para manejar instrumentos, ferramentas ou produtos podem ser beneficiados por um programa de atividades para trabalhadores braçais (Nascimento e Moraes 2000). Por exemplo, trabalhadores em uma linha de montagem de uma fábrica necessitam de exercícios específicos para os grupos musculares utilizados excessivamente.O músculo supra-espinhoso, um dos músculos do grupo manguito rotador (Smith  et al 1997), localizado no ombro, é freqüentemente solicitado na abdução ,abertura lateral do braço,  e seu tendão pode ser comprimido se essa abertura ultrapassar mais que 90°, ou seja, se o braço elavar-se além do ombro.

Para que isto não ocorra, deve ser evitado a repetição desse movimento,o músculo deve ser fortalecido e alongado freqüentemente  para que não ocorra lesão muscular por superutilização, similar, por exemplo, à lesão de um atleta ao final de uma competição extrema. Afinal, a jornada de trabalho pode durar até mais de 10 horas, às vezes. Por outro lado, trabalhadores administrativos como digitadores, secretárias, atendentes, etc. são acometidos de problemas posturais, musculares ou visuais. Assim, um bom programa de atividades para trabalhadores da FASB , que têm este perfil, ajudará a diminuir os riscos de  lesões por fatores ergonômicos agravantes, aliado ao sedentarismo entre os funcionários.
A Ginástica Laboral interfere de forma extremamente positiva para os trabalhadores, tanto individual quanto coletivamente no processo geral da empresa.Antes de ser realizada a prescrição desta atividade, um parecer ergonômico  deve ser  executado  e neste consta dados observados que indicam  ou não fatores de risco para a ocorrência de LER/DORT.

Por ser fator de análise ergonômica profissional, o Fisioterapeuta-Avaliador fica isento pela identificação, sua tarefa é apenas de apontar se há ou não o fator. Ex.: Existe fator ergonômico que deve ser reavaliado referente aos acentos e mesa do setor de  digitação. (Peres et al 2000).

Todos estes dados serão observados no ambiente de trabalho com acompanhamento de Fisioterapeutas que auxiliem na informação necessária para que poça ser emitido um relatório e análise técnica com a recomendação do programa de Ginástica Laboral.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A prevenção é a primeira atribuição da Fisioterapia. Nesse caso, é fundamental o trabalho de conscientização, ou seja, a tarefa de alertar e orientar o paciente sobre a necessidade de adotar procedimentos adequados em certas situações.

Diante da pesquisa e estudos acadêmicos percebe-se que é possível prevenir  qualquer tipo de lesões em qualquer tipo de trabalho  baseando-se nos princípios  de que  a jornada de trabalho deve ser planejada de forma compatível com o ritmo de seu corpo, estabelecendo períodos de pausa com o intuito de evitar a sobrecarga músculo-esquelética (Magee , 2005) e a fadiga mental.
Por fim, observa-se que os funcionários possuíam uma vida sedentária, porém estavam cientes  que esta atitude poderiam desencadear os distúrbios ocupacionais como: dores articulares, estress, indisposição ao trabalho.Foi notável a disposição dos mesmos para a prática da Ginástica Laboral no ambiente de trabalho caso fosse oferecido pela instituição.

DICAS E SUGESTÕES

Na biomecânica postural, considerações ergonômicas articulares devem ser levados em conta na realização de qualquer tipo de tarefa seja no ambiente de trabalho ou domiciliar, por exemplo:ao pegar objetos no chão, agachar-se dobrando os joelhos mantendo a coluna reta e ao carregar peso mantenha os braços estendidos e próximos ao seu corpo (Viel et al., 2000). 

Para manter uma postura correta do corpo durante a jornada de trabalho deve-se evitar esforços excessivos e desnecessários tais como, empurrar ou puxar gavetas "emperradas"; digitar, escrever, grampear e carimbar com muita força, seguindo um período de pausa.

 As posturas incorretas devem ser evitadas como inclinar o corpo sobre a mesa de trabalho quando estiver de pé ou sentado, evitar cruzar as pernas quando estiver sentado, pois dificulta a circulação, não manter os ombros elevados acima da cabeça por muito tempo. 

Os cotovelos devem ficar na altura da mesa de trabalho quando for digitar e evitar sentar-se com rotação de tronco sem apoio na região lombar (Viel et al.,2000). Se o funcionário trabalha na postura sentada, colocar as atividades a sua frente e não ao seu lado; não trabalhar com sapatos com saltos altos pois eles podem provocar dores e encurtamentos.
Procurar utilizar sempre, um apoio adequado à sua altura ou ajuste a sua cadeira;  não sentar em cadeiras muito altas ou muito baixas não devendo ainda permanecer em uma mesma postura por longos períodos. Procurar levantar-se de tempos em tempos e não manusear objetos em prateleiras altas se necessário, utilizar uma escada segura e adequada.O alongamento e a aplicação da Ginástica Laboral na musculatura deve ser monitorado por um profissional especializado.

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16. COX, JAMES M.,D.C,D.AC. Dor lombar.Mecanismo, diagnóstico e tratamento.6ª ed, Barueri-SP: Manole, 2002.
17.MAGEE, David J.,PH.D,B.PT. Avaliação Muscoloesqulética. 4ª ed, Barueri-SP: Manole, 2005.

Autor(a): Rita Viviane Branco Barbosa
Orientador(a): Luciane Jóia

Autor(es):
Rita Viviane Branco Barbosa(1); Luciane Jóia(2)

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